Temas para uma perspectiva crítica do Direito: homenagem ao professor Geraldo Prado

Nas crônicas de Nelson Rodrigues que retratavam o mundo do futebol (uma das paixões de nosso homenageado, habilidoso atacante) nasceu a expressão “geraldinos e arquibaldos”. Em oposição aos “arquibaldos”, os bem-comportados ocupantes das arquibancadas dos estádios de futebol, espaço da burguesia e dos torcedores mais conservadores, aparecem os “geraldinos”, representantes das classes subalternas, o povo que só comprava ingresso para assistir aos jogos em pé, “na geral”, locus dos personagens mais irreverentes, criativos e combativos.




Temas para uma perspectiva crítica do Direito: homenagem ao professor Geraldo Prado
Autores: Rubens Casara e Joel Corrêa de Lima
Editora Lamen Juris
1ª edição, 2012


Também inspirado no clima dos estádios de futebol, e do Maracanã em particular, Luís Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, compôs “Geraldinos e Arquibaldos”, letra e música com forte conotação política, que através da metáfora do futebol retrata o comportamento do brasileiro em meio ao jogo da vida (“E esse jogo tá um osso/ É um angu que tem caroço”), que se desenvolve “no campo do adversário”. Por evidente, o paralelo entre “geraldinos” e “arquibaldos” remete ao confronto entre grupos políticos nascidos da Revolução Francesa, os Jacobinos e os Girondinos, a esquerda e a direita, aqueles que lutam para mudar e os que se conformam com o status quo.

Na arena jurídica, Geraldo Prado nunca deixou dúvidas: sempre foi um inconformado com a injustiça social, com o processo de exclusão/extermínio de parcela da sociedade. Com a coerência daqueles que sabem que, sob certo aspecto, a divisão entre teoria e prática é artificial, Geraldo forjou sua produção, tanto na academia quanto nos órgãos judiciais em que atuou, a partir de um compromisso com o “outro”, com a diferença, com “os de baixo”, com aqueles que, criativos, combativos e, por vezes, até irreverentes, lutam em meio às adversidades para (sobre)viver. Em suma, Geraldo Luiz Mascarenhas Prado, em suas sentenças, acórdãos e livros, produziu textos geraldinos.”

-Rubens Casara e Joel Corrêa de Lima

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